Luisa Stefani busca em Wimbledon o título que o Brasil não vê desde Maria Esther Bueno

A brasileira e a canadense Gabriela Dabrowski enfrentam Guo Hanyu e Kristina Mladenovic neste domingo (12), às 9h de Brasília, na quadra central. É a primeira final de duplas femininas de uma brasileira no All England Club em quase 60 anos.
Há 59 anos uma brasileira não pisa na quadra central de Wimbledon para decidir o título de duplas femininas. A última foi Maria Esther Bueno, vice-campeã em 1967 ao lado de Nancy Richey, no ano seguinte ao quinto e último de seus títulos no torneio. Neste domingo (12), às 9h de Brasília, Luisa Stefani reabre essa conta.
Ao lado da canadense Gabriela Dabrowski, cabeças de chave número 2, a paulista de 28 anos encara a chinesa Guo Hanyu e a francesa Kristina Mladenovic, décimas cabeças de chave, na primeira final de duplas femininas de Grand Slam da carreira dela. Stefani já tem um Slam na estante, o título das duplas mistas do Australian Open de 2023, ao lado de Rafael Matos, na primeira conquista de Grand Slam de uma dupla 100% brasileira , mas na chave feminina vinha de um retrospecto cruel: três semifinais, três derrotas.
A quarta veio diferente. Na sexta-feira, Stefani e Dabrowski bateram a japonesa Shuko Aoyama e a taiwanesa Liang En-Shuo por 7/5 e 6/3 sem ceder um único break point no jogo inteiro.
Uma campanha sem sustos
O caminho até a decisão foi o mais tranquilo possível. A dupla não perdeu um set em Londres: 6/2 e 6/2 sobre Guarachi e Rosolska; 6/4 e 6/2 sobre Dolehide e Parks; 6/1 e 6/4 sobre Hunter e McNally; 6/1 e 6/2 nas quartas, contra Piter e Sisková; e o 7/5 e 6/3 da semifinal. Somando o título de Eastbourne, na preparação para a grama, são nove vitórias consecutivas.
A parceria, retomada no começo do ano, já rendeu três troféus em 2026, o WTA 1000 de Dubai, no piso duro, o WTA 500 de Estrasburgo, no saibro, e o WTA 250 de Eastbourne, na grama, e semifinais nos três Grand Slams disputados até aqui. O título de domingo seria o quarto da temporada, o 17º da carreira de Stefani e colocaria a dupla na liderança da corrida anual da WTA.
Independentemente do resultado, a brasileira já garantiu o melhor ranking da carreira: estreará no top 5 do mundo, na 4ª posição. Ela minimizou o dado: o que importa agora, disse, é o nível de jogo, não a classificação.
O que decide a final
Três frentes devem definir o jogo:
O primeiro set. Guo e Mladenovic ganharam o torneio inteiro nos momentos de crise, tie-breaks, viradas, break points salvos. Stefani e Dabrowski, que sequer precisaram jogar um ponto sob pressão real, têm interesse em fechar sets em 6/3, 6/4, longe do sufoco onde as adversárias estão invictas.
O saque. O trunfo da dupla número 2 é não perder o serviço, foi assim em toda a campanha. Do outro lado, Mladenovic cometeu nove duplas faltas só nas quartas de final: a segunda bola dela é o alvo mais evidente do jogo, e a rede afiada de Stefani existe justamente para punir voleios de defesa.
O peso da ocasião. Duas veteranas de finais (Dabrowski e Mladenovic) e duas estreantes nesse palco (Stefani e Guo). Em uma quadra central lotada, quem administrar melhor o próprio nervosismo entra na história do torneio.
O último título brasileiro em Wimbledon veio há nove anos, com Marcelo Melo nas duplas masculinas, em 2017. Stefani, que em Tóquio deu ao país a primeira medalha olímpica do tênis, tenta agora ser a segunda brasileira campeã de duplas femininas no torneio mais tradicional do mundo, 60 anos depois de Maria Esther Bueno.
