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Lesões, pausas, evolução e perspectivas de João Fonseca: como foram os dois últimos anos da promessa brasileira?

POR PATRICK SIMÃO25/08/2026
Lesões, pausas, evolução e perspectivas de João Fonseca: como foram os dois últimos anos da promessa brasileira?

João Fonseca não disputará o US Open de 2026, devido a uma lesão no abdômen. Este é o primeiro Grand Slam que ele fica de fora desde que disputou a sua primeira chave principal, no Australian Open do ano passado. Desde então, foram 7 participações, com uma quartas de final, três terceiras rodadas, duas segundas rodadas e uma queda na estreia.

O brasileiro, que na última sexta-feira (21/08) completou 20 anos, tem um talento inegável. Seus resultados, como os títulos no ATP 500 da Basileia e no 250 de Buenos Aires, além das quartas de final de Roland Garros, já o colocam próximo de ser o segundo melhor simplista brasileiro na ATP, algo que parece inevitável. Porém, sua trajetória e talento colocam expectativas ainda mais altas sobre o carioca.

Entretanto, também é inegável o quanto João não vem conseguindo jogar com frequência. Isso se deve tanto a diferentes fatores físicos, quanto por um planejamento de calendário. As duas coisas podem ter relação, mas considerando que as lesões de Fonseca foram em regiões diferentes, espera-se também que isso possa ser superado.

João despontou de vez no circuito entre dezembro de 2024 e março de 2025, com os títulos do Next Gen Finals, de Buenos Aires e de dois Challengers, além da vitória sobre o então top 10 Andrey Rublev no Australian Open. Depois disso, seus principais resultados foram na Basileia, em novembro do ano passado, e em Roland Garros, em maio desse ano. Em abril, ele ainda fez sua primeira quartas de Masters 1000, em Monte-Carlo.

Naquele primeiro intervalo de 4 meses, ele fez 31 jogos, com 26 vitórias conquistadas. Porém, desde então (abril de 2025 a agosto de 2026), ele fez somente 47 jogos, obtendo 28 vitórias nesses 17 meses. Apesar de algumas boas campanhas e mudanças em seu estilo de jogo, ele jogou pouco e modificou pouco seu ranking.

É inevitável que não se use como parâmetro os rivais da sua geração. Pegando esse mesmo recorte desde abril de 2025: Learner Tien, também fez 55 jogos de simples, com 37 vitórias, enquanto Jakub Mensik fez 52 jogos, ganhando 34. Rafael Jodar despontou no circuito esse ano e já fez 50 jogos de simples, com 36 vitórias.

Portanto, é evidente que Fonseca fez menos jogos que seus contemporâneos de geração, e infelizmente isso muda a evolução quanto a estratégias de jogo, desenvolvimento e evolução dos pontos fracos, mesmo com os treinamentos. Seu planejamento de calendário foi sim parecido em número de torneios, mas as desistências de alguns torneios alteraram essa rota.

Não estou dizendo que é preciso jogar torneios sem parar, o circuito tem vários exemplos que isso acarreta lesões e o longo prazo é essencial para Fonseca, que ainda se desenvolve fisicamente. As próprias lesões do brasileiro já são uma mostra disso, como vamos recapitular aqui.

Após a longa sequência de dezembro de 2024 a março de 2025, Fonseca fez uma justa e necessária pausa. Depois disso, fez poucos jogos na gira de saibro e de grama em 2025. Em seguida, não disputou os ATPs de julho e também fez poucos jogos na gira do US Open. Após isso, disputou Laver Cup e Copa Davis, retornando ao circuito da ATP um mês e meio depois, nas quadras cobertas da Europa, quando brilhou em Basel.

O próprio Fonseca e sua equipe afirmavam que ele estava muito bem para começar 2026, porém, uma lesão na região lombar o tirou de dois ATPs 250 australianos em janeiro. Ainda se recuperando, ele não conseguiu ir bem no Australian Open, Buenos Aires e Rio Open.

O brasileiro voltou a ter uma boa e competitiva sequência em Indian Wells, Miami, Monte-Carlo, Munique e Madri, enfrentando fortes rivais. Porém, após jogar Roma, ele desistiu de Hamburgo, por dores no punho direito. Ainda sim, brilhou em Roland Garros, na melhor campanha de sua carreira, com direito a vitória em cinco sets sobre Novak Djokovic. Esta certamente foi sua melhor sequência de torneios desde o primeiro trimestre de 2025.

Depois disso, fez poucos jogos na grama e novamente optou por não jogar os ATPs de julho. Após jogar em Toronto, ele desistiu antes de sua 2ª partida em Cincinnati, e posteriormente desistiu do US Open, agora por causa do abdômen. Foram quatro lesões que não eram graves, mas quatro lesões diferentes e sempre antes dos Grand Slams.

Essa questão certamente afeta o seu ritmo de jogo e desenvolvimento em quadra, visto que quanto mais jogos ganhos, melhor o atleta se sente dentro da quadra. Soma-se a isso uma pressão cada vez maior por resultados e o desgaste psicológico do circuito, também já comentado publicamente por João, algo também importante de se colocar na balança.

Neste trajeto, percebe-se também uma mudança tática, de ficar mais nos pontos e ser mais consistente, errando menos, mas, em contrapartida, ser menos agressivo, algo que sempre foi seu diferencial. Portanto, a identidade do seu jogo também passa por mudanças, que, como dito anteriormente, tem pontos positivos e negativos. Porém, o potencial de Fonseca aparece justamente aí, quando ele conseguir equilibrar com regularidade esses dois aspectos.

Há a expectativa de que João supere os constantes problemas físicos e que a tônica da sua carreira seja de calendários mais moderados, algo inclusive recomendado para os principais nomes do circuito. Talento e alternativas de jogo não faltam para o brasileiro, que tem tudo para se estabelecer no top 10 nos próximos anos. Porém, ao terminar 2025 como 24 do mundo, esperava-se outra evolução no ranking, algo que deve acontecer nas próximas temporadas.

Agora, o desejo é pela boa recuperação de João e que ele esteja saudável e feliz em quadra, mais leve, para aplicar e desenvolver o seu melhor tênis. Para o final do ano, o planejamento é de um calendário mais sólido: ATP 500 de Tóquio, Masters 1000 de Xangai, ATP 500 da Basileia e Masters 1000 de Paris são os torneios já confirmados, além da possível participação na Copa Davis, no Rio de Janeiro, contra a Suíça.