A grande semana dos juvenis brasileiros e a boa perspectiva para o futuro

Esta pode parecer uma semana comum para o tênis brasileiro, mas ela também é um marco para quatro grandes promessas nacionais.
Ao mesmo tempo em que vemos o Brasil não ter um representante nas chaves de simples de um Grand Slam pela primeira vez em 8 anos, vemos também os juvenis do país se destacando em torneios profissionais.
Luis Guto Miguel é número 1 juvenil. Esse ano ele conquistou Roland Garros em simples e Wimbledon nas duplas, e agora encerra o seu ciclo na categoria com a disputa do US Open.
O goiano de 17 anos começou a sua trajetória profissional com mais derrotas, que geraram algumas desconfianças. Entretanto, ele parece cada vez mais maduro e pronto para encarar o circuito Challenger, começando a subir no ranking da ATP.
Ele vem fazendo sua melhor campanha da carreira no Challenger 75 de Kingston, na Jamaica, com vitórias sólidas no piso duro. Antes, ele também havia feito semifinal no Challenger 50 de Santos (SP) e deve disputar mais torneios da categoria na reta final da temporada, buscando se estabelecer de vez neste nível.
Guto sempre teve variação de jogo e agora demonstra que irá ser um jogador forte fisicamente. Além disso, o aspecto psicológico no circuito profissional está melhorando, com uma melhor recuperação quando está atrás no placar ou quando algum momento frustra. É claro, ele ainda tem 17 anos, mas está se acostumando cada vez mais a isso.
Victória Barros é top 5 juvenil e ainda não havia conquistado grandes vitórias no profissional. Porém, esta semana, no ITF W35 de Barueri (SP), venceu pela primeira vez uma top 250, principal favorita do torneio, em um jogo de mais de 3 horas.
Este resultado demonstra um nível ainda maior que ela pode performar neste estágio de sua carreira, com 16 anos. A potiguar tem muitas armas em seu jogo, algo que deve ser utilizado de forma cada vez melhor, aumentando consequentemente a sua regularidade e consistência neste nível.
Ela enfrentará Nauhany Silva nas quartas de Barueri. A paulistana de 16 anos é top 10 juvenil e já vem conquistando resultados expressivos no profissional, como por exemplo uma vitória em nível WTA 250, no SP Open, e jogos sempre competitivos contra rivais do top 300, há pelo menos 1 ano e meio.
Naná tem muita potência em seus golpes e a tendência é que os use cada vez mais nos melhores momentos. Ela também está entre as principais tenistas da sua idade no ranking da WTA.
As duas brasileiras, finalistas do Banana Bowl e vice-campeãs de duplas em Wimbledon esse ano, buscam uma semifinal inédita de W35.
Além disso, o fato delas crescerem juntas no ranking ajuda a dividir a grande pressão que há quando apenas um nome se destaca, como vimos, por exemplo, com Thomaz Bellucci, Beatriz Haddad e agora João Fonseca. A ascensão de Guto, inclusive, é boa tanto para ele quanto para João nesse sentido.
Barueri ainda viu nessa semana Eduarda Gomes, com 14 anos e 1 mês, estreando no profissional com vitória. A paranaense, campeã do Roland Garros Jr Series (até 17 anos), da Copa Cosat e semifinalista de Wimbledon 14 anos, também tem nomes que a acompanham em sua geração.
Um exemplo é Clara Coura, também de 14 anos, que já se destaca no circuito até 18 anos e também tem vitórias no profissional. Junto a ela, vemos promissores nomes como Dante Monte, Davih Lichtnow e Vitor Moraes, vice-campeões mundiais nos 14 anos.
A geração de juvenis brasileiros também conta com nomes como Leonardo Storck, Pedro Chabalgoity e Livas Damazio. O alto volume de nomes promissores aumenta a probabilidade de termos mais tenistas fortalecendo o tênis brasileiro nos próximos 10 ou até 15 anos, seja na elite do circuito, no top 100 ou em nível Challenger.
É claro que existem ressalvas e os resultados de agora não são uma garantia. Mas as perspectivas são muito boas e os tenistas analisados devem evoluir nos aspectos citado, algo que já vem acontecendo.
