Fim de uma era? Djokovic cai do Top 10 e "Big Three" desaparece do topo do tênis pela primeira vez em 24 anos

Djokovic vomita, cai na estreia do US Open e perde o Top 10 pela primeira vez em oito anos encerrando também um ciclo de 24 anos em que Big Three sempre esteve entre os melhores do mundo.
O que aconteceu:
Novak Djokovic foi eliminado na primeira rodada do US Open 2026, derrotado pelo argentino Mariano Navone em um jogo de cinco sets que durou 4h36min, com parciais de 7-6(5), 5-7, 4-6, 6-2 e 6-1. Foi a primeira vez na carreira que o sérvio caiu logo na estreia do Aberto dos Estados Unidos, e também o fim de uma sequência de 78 vitórias consecutivas em primeiras rodadas de Grand Slam um recorde que só havia sido quebrado por Paul Goldstein, no Australian Open de 2006.
Durante a partida, Djokovic teve câimbras, vomitou e precisou de atendimento médico para as costas e o pé. Não foi um episódio isolado: ele também vomitou em quadra durante a derrota para Thiago Agustin Tirante no Masters de Cincinnati, em agosto. Mesmo abatido, disse que não estava pensando nas estatísticas e que seu foco, naquele momento, era se recuperar fisicamente.
A queda no ranking
Como defendia 800 pontos da semifinal do US Open do ano passado, a eliminação precoce custou 790 pontos a Djokovic, derrubando-o para a 11ª posição no ranking ao vivo, a pior colocação dele desde julho de 2018. Na atualização oficial da ATP, prevista para 14 de setembro de 2026, ele sai oficialmente do Top 10.
O detalhe histórico é o que dá dimensão ao momento: essa será a primeira vez, desde 7 de outubro de 2002, que o Top 10 do ranking ATP não terá nenhum nome do “Big Three” Djokovic, Roger Federer e Rafael Nadal. Federer estreou no Top 10 naquele mês e só saiu em 2016 (237 semanas como número 1). Nadal entrou aos 18 anos, em 2005, e ficou 912 semanas seguidas entre os melhores do mundo. Djokovic chegou ao Top 10 em 2007 e, fora uma pausa por lesão entre novembro de 2017 e julho de 2018, nunca havia saído de lá.
Vale um adendo: tecnicamente o termo mais usado pela imprensa internacional é “Big Three” (Djokovic, Federer, Nadal), já que Andy Murray o quarto nome do consagrado “Big Four” havia deixado o Top 10 antes deles. Mas o efeito é o mesmo: nenhum dos gigantes que dominaram o tênis masculino nas últimas duas décadas segue entre os dez melhores do mundo.
Análise: é o fim?
Do ponto de vista esportivo, os números não mentem: aos 39 anos, o corpo está cobrando a conta. Vômitos em quadra, câimbras, dores nas costas e no pé em partidas consecutivas não são detalhes soltos são sinais de que a recuperação entre jogos está cada vez mais difícil, algo natural para um atleta que já passou dos 38 anos competindo no mais alto nível havia quase duas décadas, afinal, o esporte de alto nível não perdoa, ainda mais, no nível de Novak.
Ainda assim, é importante separar dois momentos distintos: um resultado ruim isolado e um padrão de queda física constante. Djokovic ainda venceu o Australian Open recentemente e seguiu competitivo em Grand Slams neste ciclo o que sugere que o corpo ainda responde quando ele está saudável. O episódio do US Open, mesmo dramático, aconteceu contra um adversário duro, em condições de calor extremo em Nova York, fator que historicamente afeta até atletas mais jovens como aconteceu com Sinner durante o Roland Garros deste ano.
Opinião: enquanto Djokovic conseguir jogar em alto nível competir por títulos, chegar a fases decisivas de Grand Slams, disputar pontos de igual para igual com a nova geração, não existe motivo real para pendurar a raquete. Aposentadoria por pressão externa, ranking ou expectativa alheia não faz sentido para quem já é, por número de títulos de Grand Slam (24), o maior tenista da história masculina. Ele não tem mais nada a provar.
Agora, se as lesões, os vômitos e as quedas físicas passarem a se repetir com frequência, aí sim pode ser a hora de pensar em encerrar a carreira, não por fraqueza, mas por dignidade esportiva, evitando prolongar o inevitável e desgastar a própria imagem em derrotas sucessivas. Encerrar no auge do respeito, mesmo sem estar mais no topo do ranking, é uma escolha perfeitamente válida para quem já superou qualquer meta que poderia ter estabelecido no início da carreira. A pergunta não é “quanto tempo ele ainda aguenta”, e sim “vale a pena continuar aguentando”.
