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Zverev número 1: sortudo ou azarado?

POR IZADORA CAIRES•15/10/2026
Zverev número 1: sortudo ou azarado?
hard-court.com

O alemão é o primeiro da história de seu país a terminar o ano no topo do ranking. Ganhou dois Slams para chegar lá, mas ainda disputa algo que pontos não compram: a simpatia do público.

E aqui entra o outro lado da história: Zverev nunca foi o favorito da arquibancada. Sinner tem a frieza quase monástica que o público italiano adora. Alcaraz tem o sorriso, a energia, o jeito de quem parece estar se divertindo. Zverev tem o histórico de explosões de temperamento, como a cena de Acapulco em 2022, quando destruiu a raquete contra a cadeira do árbitro e foi expulso do torneio. Tem também o peso de acusações feitas por uma ex-namorada, que ele sempre negou. Mesmo quando joga muito bem, raramente vem junto aquele calor que faz o público torcer por alguém. É um campeão que se admira mais do que se ama.

Isso importa menos do que parece, e mais do que ele gostaria. O ranking não mede carisma, e Zverev provou em Paris, em Nova York e agora em Xangai que sabe vencer. Mas o número 1 também é uma vitrine. Quem chega lá carrega o esporte nas costas, e o esporte, no fim, é feito de gente que se identifica com seus heróis.

Sortudo ou azarado, então? Sortudo, no sentido de que corpos alheios lhe abriram uma avenida. Azarado, porque todo número 1 que chega por esse caminho carrega um asterisco invisível, e porque, sem a torcida a favor, esse asterisco pesa o dobro. Zverev vai ouvir "só chegou porque Sinner estava machucado" por muito tempo.

O asterisco só some quando os três estiverem saudáveis na mesma quadra, e isso deve acontecer já no Australian Open de 2027, com o alemão como cabeça de chave número 1 e rival a ser batido. Até lá, ele tem a melhor resposta possível: dois Slams no ano não são sorte. E se o público ainda não o ama, talvez já seja hora de respeitá-lo.